A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, em 30 de março de 2026, o registro de um novo medicamento para prevenir infecções respiratórias graves em bebês. A decisão também trouxe mudanças nas regras para tratamento de uma doença reumatológica em adolescentes.
A Anvisa aprovou o registro do Enflonsia® (clesrovimabe), um anticorpo monoclonal da empresa Merck Sharp & Dohme Farmacêutica. Ele é indicado para a prevenção do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em recém-nascidos e bebês lactentes.
A aplicação é intramuscular e deve ser feita de forma preventiva durante os períodos de maior circulação do vírus. O objetivo é gerar uma resposta imunológica para evitar que a infecção atinja os pulmões das crianças.
A doença costuma ser mais grave nos primeiros seis meses de vida, principalmente em bebês prematuros e naqueles com cardiopatias congênitas. Crianças com doença pulmonar crônica da prematuridade também fazem parte do grupo de alto risco.
Pacientes pediátricos que forem submetidos a cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea devem receber uma dose adicional do anticorpo após a estabilização clínica, devido à possível redução dos níveis da substância no sangue.
Dados do Ministério da Saúde mostram que o VSR é responsável por cerca de 80% dos casos de bronquiolite e até 60% das pneumonias em crianças com menos de dois anos. Estima-se que uma em cada cinco crianças infectadas precise de atendimento ambulatorial e que uma em cada 50 seja hospitalizada no primeiro ano de vida.
Entre 2018 e 2024, foram registradas 83.740 internações de bebês prematuros (com menos de 37 semanas) por complicações relacionadas ao vírus, como bronquite, bronquiolite e pneumonia.
Em dezembro de 2025, o Ministério da Saúde iniciou uma campanha nacional de vacinação contra o VSR. A imunização é oferecida gratuitamente pelo SUS para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez.
A transferência de anticorpos pela placenta permite que o bebê nasça com uma proteção temporária. As informações têm caráter informativo e não substituem o acompanhamento médico.
As publicações da Anvisa também trouxeram avanços para a área de reumatologia. O protocolo de tratamento da artrite psoriásica passou a incluir legalmente adolescentes a partir de 12 anos de idade.
Essa é uma inflamação crônica que afeta as articulações e pode causar lesões na pele dos pacientes mais jovens. A ampliação da faixa etária permite que esses adolescentes tenham acesso a medicamentos biológicos mais modernos, que podem controlar o avanço da doença.
A oficialização do registro do Enflonsia® foi feita pela Resolução (RE) 1.214/2026, publicada no Diário Oficial da União. A distribuição dos medicamentos dependerá do planejamento logístico das fabricantes e distribuidoras.
Pacientes e seus responsáveis devem consultar os médicos especialistas que acompanham o caso para avaliar a necessidade de uma nova prescrição.
