A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a venda, distribuição e uso de lotes específicos da fórmula infantil Aptamil Premium 1, de 800g. A decisão foi tomada após a confirmação de contaminação por uma toxina considerada perigosa para recém-nascidos.

A toxina identificada é a cereulida, produzida pela bactéria Bacillus cereus. Em bebês, a ingestão dessa substância pode causar vômito persistente, diarreia e um estado de letargia profunda.

A letargia se manifesta por sonolência excessiva, lentidão nos movimentos e no raciocínio. Em situações mais graves, a criança pode ficar incapaz de reagir a estímulos ou de expressar emoções, necessitando de atendimento médico imediato para evitar complicações.

A proibição está detalhada na Resolução (RE) 1.056/2026, publicada no Diário Oficial da União em 19 de março de 2026. De acordo com a norma, a própria fabricante, a empresa Danone, identificou o problema e deu início a um recolhimento voluntário dos produtos. Laudos confirmaram a presença da cereulida em lotes destinados a lactentes de até 6 meses de idade.

É importante que pais e responsáveis verifiquem o número do lote impresso na embalagem. Apenas as unidades dos lotes listados na resolução apresentam risco. As demais unidades do produto continuam liberadas para consumo no país.

Caso o número do lote esteja entre os afetados, o uso da fórmula deve ser interrompido imediatamente. O produto não deve ser oferecido ao bebê, mesmo que a embalagem pareça normal, sem alterações visuais ou de odor.

A publicação da resolução no Diário Oficial dá validade legal à medida em todo o território nacional. Com isso, farmácias e supermercados são obrigados a retirar os produtos das prateleiras. O não cumprimento pode resultar em multas aplicadas pelos órgãos de fiscalização.

A Anvisa destacou que o monitoramento após a comercialização é uma etapa importante para a segurança alimentar. O recolhimento voluntário feito pela fabricante demonstra uma ação para reduzir danos, mas precisa da colaboração dos consumidores para ser totalmente eficaz.

A alimentação nos primeiros meses de vida exige cuidados rigorosos com a higiene e a procedência dos produtos. Manter-se informado sobre os alertas da vigilância sanitária é uma forma de prevenir intoxicações alimentares graves em uma fase de maior vulnerabilidade da criança.

Em caso de dúvidas sobre a nutrição do bebê, a recomendação é procurar um pediatra. O profissional pode indicar alternativas seguras de fórmula infantil ou reforçar os protocolos corretos de preparo, garantindo a saúde e o desenvolvimento adequado no primeiro semestre de vida.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho em Goiânia. Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho e Sociedade Brasileira de Artroscopia e Trauma Esportivo.