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Saúde

Cirurgia ginecológica: tratamento sem retirar o útero

Por RedaçãoLeitura de 3 min
Cirurgia ginecológica: tratamento sem retirar o útero

O número de histerectomias indicadas para doenças benignas do útero diminuiu com a evolução da ginecologia cirúrgica, que passou a priorizar a preservação do órgão em casos selecionados. A decisão de retirar ou não o útero agora é personalizada e leva em conta a idade da paciente, a intensidade dos sintomas, a extensão da doença, o desejo de engravidar e o projeto de vida da mulher, conforme explica o ginecologista e obstetra Marcos Vinícius Maia da Mata, especializado em endometriose.

Os miomas, tumores benignos frequentes que podem causar sangramento menstrual intenso, anemia, dor e interferir na fertilidade, são um exemplo dessa mudança. Ter mioma não significa precisar retirar o útero. Quando há indicação cirúrgica e o objetivo é preservar o órgão, é possível realizar a miomectomia, procedimento que retira apenas os miomas. Dependendo do tamanho e da localização, a cirurgia pode ser feita por histeroscopia, laparoscopia ou, em algumas situações, por cirurgia aberta.

Na endometriose, o raciocínio também é individualizado. A doença pode comprometer ovários, intestino, bexiga e outras estruturas da pelve, e a cirurgia, quando indicada, busca remover as lesões preservando os órgãos sempre que possível. A retirada do útero não é tratamento obrigatório e não garante, isoladamente, o desaparecimento de todos os sintomas. Já a adenomiose, por estar localizada na musculatura uterina, apresenta outro desafio, mas, dependendo da extensão, dos sintomas e do desejo reprodutivo, existem alternativas clínicas e procedimentos conservadores que podem ser discutidos antes da histerectomia.

Preservar o útero, no entanto, não significa automaticamente preservar a fertilidade, pois cada doença e cada cirurgia podem interferir de maneira diferente na capacidade reprodutiva. A evolução também ocorreu na forma de acesso aos órgãos. A histeroscopia introduz uma pequena câmera pelo colo do útero, sem cortes no abdômen, sendo útil para tratar alterações dentro da cavidade uterina, como alguns tipos de miomas. A laparoscopia utiliza pequenas incisões no abdômen para introduzir câmera e instrumentos, e, em comparação com a cirurgia abdominal aberta, costuma proporcionar menor dor pós-operatória, menor tempo de internação e retorno mais rápido às atividades.

A cirurgia robótica acrescentou outra possibilidade, com o cirurgião controlando os instrumentos a partir de um console, com visão ampliada e movimentos de grande precisão. Para doenças benignas, no entanto, não há demonstração de superioridade geral da cirurgia robótica sobre a laparoscopia convencional, e o benefício depende do procedimento, da complexidade do caso e da experiência da equipe. Em muitos casos, a melhor cirurgia pode ser não operar: uma mulher com miomas pequenos e sem sintomas pode não precisar de cirurgia, outra com endometriose pode controlar a doença com tratamento medicamentoso, e uma terceira com sangramento intenso, anemia e grandes miomas pode ter indicação cirúrgica.

Preservar o útero a qualquer custo também não é boa medicina, e a histerectomia continua sendo a opção mais segura, definitiva ou adequada em determinadas situações. A cirurgia ginecológica moderna passou a considerar não apenas como retirar a doença, mas quanto é possível preservar e qual será o impacto do tratamento na recuperação, na sexualidade, na fertilidade e na qualidade de vida da paciente. Segundo o ginecologista, uma cirurgia bem-sucedida não é necessariamente aquela que retira mais, mas aquela que trata o que precisa ser tratado, preservando o que pode ser preservado, com segurança e respeitando os planos de vida de cada mulher.

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