O Infarmed, autoridade de saúde de Portugal, determinou a suspensão imediata e a recolha do cosmético “Dives Med / Glow X9 Biorevitalization Peel”. A decisão foi tomada após a identificação de substâncias proibidas na fórmula do produto.

A medida ocorreu devido a uma fiscalização que confirmou a presença de fenol na composição. Essa substância é vedada para uso em qualquer cosmético no território da União Europeia, de acordo com o Regulamento (CE) n.º 1223/2009.

Segundo o órgão, o fenol é um composto orgânico com ação química corrosiva e intensa. Além do ingrediente irregular, as autoridades observaram que o rótulo prometia propriedades medicinais sem base científica, o que viola as normas de publicidade do setor.

O fenol é utilizado apenas em peelings profundos feitos em ambiente clínico sob supervisão médica rigorosa. Quando inserido em um cosmético de venda livre, representa riscos graves de toxicidade sistêmica, podendo ser absorvido pela corrente sanguínea do usuário.

A aplicação inadequada pode resultar em queimaduras químicas severas e danos permanentes aos tecidos da pele. Por ser uma substância de manipulação perigosa, a legislação exclui o componente da lista de insumos autorizados para produtos de prateleira voltados ao consumidor final.

No Brasil, existem medicamentos e dispositivos médicos que contêm fenol e são autorizados pela Anvisa. Isso ocorre porque passam por uma análise rigorosa que define como e para que cada um deve ser usado. Diferente de cosméticos proibidos na União Europeia, esses produtos só podem ser comercializados e utilizados se forem seguros e eficazes nas condições aprovadas pela agência sanitária.

A orientação oficial do Infarmed é que a aplicação do produto seja interrompida imediatamente para evitar reações adversas. O descarte não deve ser feito de qualquer maneira, sendo ideal buscar o local da compra para devolução.

A fiscalização tem se tornado mais rígida para garantir que nenhum cosmético contenha agentes cancerígenos ou tóxicos para a reprodução. Recentemente, substâncias como o TPO também foram banidas devido aos riscos comprovados ao sistema reprodutivo humano em testes laboratoriais.

É importante verificar os rótulos antes da compra. Muitas vezes, um cosmético importado pode conter ingredientes permitidos em outros países, mas proibidos pela vigilância sanitária local. Verificar a procedência e os selos de aprovação de órgãos como a Anvisa ou o Infarmed protege o usuário de danos graves.

A segurança deve ser prioridade sobre promessas de rejuvenescimento rápido. Ao escolher produtos certificados, garante-se que o tratamento estético não se transforme em um problema de saúde pública, preservando a integridade da pele e o bem-estar geral.

O órgão alerta que quem utilizou o produto e apresenta irritação, queimação ou qualquer reação adversa na pele deve consultar imediatamente um médico ou dermatologista.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho em Goiânia. Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho e Sociedade Brasileira de Artroscopia e Trauma Esportivo.