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Saúde

Discord suspenso após morte de menina e alerta a pais

Por RedaçãoLeitura de 3 min
Discord suspenso após morte de menina e alerta a pais

A ANPD suspendeu por tempo indeterminado as transmissões ao vivo e o compartilhamento de vídeos no Discord em todo o Brasil. A decisão foi publicada após a agência identificar evidências de que a plataforma não adota medidas suficientes para reduzir a exposição de crianças e adolescentes a conteúdos de violência, automutilação e suicídio. O caso ganhou repercussão depois da morte de uma menina de 13 anos, induzida por uma transmissão ao vivo de um grupo extremista na rede.

Os dados citados na resolução mostram um aumento expressivo nas denúncias. A SaferNet, organização não governamental que combate crimes na internet, afirma que mais de 2 mil links do Discord foram denunciados desde janeiro de 2017. Nos sete primeiros meses deste ano, as denúncias cresceram 54% em comparação com o mesmo período de 2025, que já registrava um número três vezes maior que o de 2024.

Informações do DSA Transparency Database, banco que reúne dados de moderação de grandes plataformas na União Europeia, indicam que 41,4% das decisões de moderação do Discord, cerca de 10,6 milhões, foram classificadas como proteção de crianças e adolescentes. Dentro desse grupo, o termo material de abuso sexual infantil apareceu 4,37 milhões de vezes, o que representa 17% de todas as medidas da categoria. O compartilhamento de imagem não consensual foi citado em 8,4% das decisões.

O Discord afirmou, em nota, que a caracterização feita pela ANPD não reflete a realidade da plataforma nem os investimentos da empresa em segurança. A companhia disse ter investigado e removido o servidor envolvido na morte da jovem antes do ocorrido, e que está em diálogo com a agência para restabelecer os recursos de vídeo.

O Discord é uma plataforma de comunicação originalmente ligada ao público gamer, mas hoje reúne comunidades sobre diversos assuntos. A rede permite usuários a partir dos 13 anos e não é baseada em um feed como Instagram ou TikTok. O espaço é organizado em servidores, que funcionam como comunidades com canais de texto, voz e vídeo. Cada servidor pode estabelecer as próprias regras e contar com administradores e moderadores próprios, o que descentraliza a moderação.

Um levantamento da Universidade Federal de Minas Gerais, chamado Discord Revelado, coletou mais de 2 bilhões de mensagens trocadas em servidores públicos da plataforma. O documento sugere que o modelo de moderação descentralizado pode favorecer a formação de comunidades extremistas e de ódio. Segundo a educadora Sheylli Caleffi, agente na área de proteção infantil no meio digital, a ausência de regulação faz com que ninguém monitore o que acontece no ambiente.

A ANPD também apontou a criptografia de ponta a ponta como ponto de preocupação. Desde março de 2026, algumas comunicações de áudio e vídeo do Discord são protegidas por esse recurso, o que impede a plataforma de acessar as conversas enquanto elas ocorrem. A empresa afirma usar sinais comportamentais, inteligência artificial e metadados para identificar conteúdos nocivos, mas a agência diz que não foram apresentadas evidências suficientes de eficácia.

Há ainda a preocupação com a identidade dos usuários, que criam contas usando apelidos sem nomes próprios. Segundo Caleffi, é fácil criar uma conta anônima e fingir ser outra pessoa, e criminosos costumam usar essas plataformas para montar grupos voltados aos mais novos.

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