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Saúde

Etip: o que é e como tratar essa complicação

Por RedaçãoLeitura de 2 min
Etip: o que é e como tratar essa complicação

O Edema Tardio Inflamatório Persistente (Etip) é uma reação adversa que pode surgir semanas, meses ou até anos após um preenchimento facial com ácido hialurônico, caracterizada por um inchaço difuso na região tratada. A condição foi nomeada em 2017, a partir de um artigo de autoria de médicas brasileiras que propuseram individualizar esse padrão de apresentação dentro do espectro das reações tardias ao produto.

Segundo a médica radiologista Fernanda Cavallieri, primeira autora do estudo, o objetivo da nomenclatura específica não foi criar uma entidade totalmente independente, mas facilitar o reconhecimento clínico, a comunicação entre profissionais e a comparação de casos. O inchaço não forma nódulos endurecidos ou abscessos, mas deixa a pele mais firme, elevada e espessa, com retenção de líquido por igual em toda a área onde o ácido hialurônico foi aplicado.

No estudo conduzido pelas brasileiras, o Etip apareceu com mais frequência abaixo dos olhos, nas maçãs do rosto e no chamado bigode chinês, que é o sulco nasogeniano. A aparência é de um rosto inchado, como ao acordar ou depois de chorar, porém localizada apenas na região que recebeu o preenchimento.

As causas estão ligadas a reações inflamatórias cotidianas que ativam o sistema de defesa do organismo, como tomar uma vacina, ter uma infecção (gripe, sinusite, infecção urinária ou dente infeccionado) ou sofrer um pequeno trauma facial. Quando o corpo entra em estado de alerta imunológico, ele pode tratar o ácido hialurônico como um corpo estranho e gerar o inchaço. A médica Cavallieri afirmou que a vacinação já era identificada como gatilho antes da pandemia de covid-19, mas que as campanhas de imunização em larga escala fizeram o fenômeno ser observado e discutido mundialmente com frequência muito maior.

O quadro não causa dano à saúde além do incômodo estético. Não existe um protocolo padrão para o tratamento, mas a primeira linha recomendada é o uso de anti-inflamatórios comuns. Se não houver resultado, o passo seguinte são corticoides. A médica dermatologista Gabriela Munhoz, também autora do estudo, afirmou que a retirada do ácido hialurônico com hialuronidase é uma opção para quem se incomoda com o edema, mas o tratamento é individualizado e cada profissional conduz o caso de acordo com as necessidades do paciente. Nem toda pessoa desenvolve a complicação, que exige uma tendência individual para se manifestar.

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