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Saúde

Lito Sousa tem doença cerebral degenerativa; entenda o mal

Por RedaçãoLeitura de 2 min
Lito Sousa tem doença cerebral degenerativa; entenda o mal

O influenciador Lito Sousa, do canal Aviões e Músicas, foi diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), condição neurodegenerativa rara e sempre fatal, conforme divulgado pela esposa em vídeo publicado nesta sexta-feira (21). O quadro, que provoca perda progressiva de movimentos e capacidades cognitivas, foi identificado após investigações iniciadas por uma dormência no braço, sintoma que surgiu em julho, logo após o diagnóstico de um câncer de próstata. O sintoma foi inicialmente atribuído a uma inflamação no sistema nervoso central, mas exames complementares confirmaram a doença priônica.

De acordo com o Ministério da Saúde, a DCJ é uma doença priônica humana rara, neurodegenerativa, progressiva e fatal. Os príons, partículas proteicas infecciosas descobertas em 1982 pelo neurologista Stanley B. Prusiner, são estruturas menores que um vírus, compostas exclusivamente por proteína e sem material genético. Em situações raras, essas proteínas podem se dobrar de forma anormal, induzindo outras partículas a fazer o mesmo e acumulando-se no cérebro, o que compromete suas funções.

O diagnóstico da doença é desafiador, pois não há exame específico em vida que não envolva biópsia cerebral. A análise de sintomas e exames de imagem, como eletroencefalograma e ressonância magnética, é usada para buscar sinais característicos da DCJ, mas pacientes como Lito Sousa são tratados como casos prováveis. O diagnóstico definitivo só pode ser feito post mortem, com a análise dos tecidos cerebrais. A doença não tem cura, e o tratamento busca aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. A letalidade se aproxima de 90% em até um ano do aparecimento dos sintomas.

A doença ficou conhecida mundialmente nos anos 1990 pela versão bovina, a encefalopatia espongiforme bovina, apelidada de doença da vaca louca. Na época, ações de vigilância epidemiológica foram adotadas para impedir que a carne de animais infectados chegasse ao mercado, pois os príons são resistentes aos processos habituais de eliminação de patógenos. Apesar da fama, casos humanos relacionados à carne bovina são extremamente raros. Estima-se que 85% dos casos em humanos sejam esporádicos, quase 15% tenham relação com mutação hereditária e menos de 1% estejam ligados ao contato com tecidos contaminados, geralmente em procedimentos médicos, na forma iatrogênica da doença.

A versão bovina, conhecida como variante Creutzfeldt-Jakob (vDCJ), nunca teve um caso identificado no Brasil desde o início da vigilância epidemiológica em 2005. No mundo, há menos de 250 casos documentados da vDCJ desde a descoberta da vaca louca, a maioria deles no Reino Unido.

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