Uma mulher deu à luz no Hospital São Lucas, em Fernando de Noronha, no último domingo (26), apesar de os partos não serem realizados na ilha. Segundo a Administração de Fernando de Noronha, a gestante chegou à unidade de saúde sem informar que estava grávida e já estava em trabalho de parto avançado, o que impossibilitou sua transferência para o Recife. A identidade da mãe não foi divulgada.

Após o nascimento, o bebê foi transferido para o Recife em uma UTI aérea nesta segunda-feira (27). A mãe preferiu não conceder entrevista.

A Administração da Ilha não informou quando havia ocorrido o último nascimento de um morador em Fernando de Noronha. De acordo com levantamento do g1, os partos mais recentes aconteceram em 2021, quando uma turista deu à luz no arquipélago.

Antes disso, o último nascimento havia sido registrado em 2018, após um intervalo de 12 anos sem partos na ilha. Na ocasião, a camareira Jamylla Gomes Ribeiro da Silva, de 22 anos, deu à luz uma menina.

Segundo nota da Administração de Fernando de Noronha, durante o atendimento inicial a paciente negou a possibilidade de estar grávida. Diante da suspeita da equipe médica, foi realizado um exame de Beta HCG, que confirmou uma gestação de 41 semanas.

O parto foi conduzido pela equipe multiprofissional do Hospital São Lucas, seguindo os protocolos médicos estabelecidos.

A mulher é moradora temporária da ilha e trabalha em uma pousada. De acordo com o hospital, tanto a mãe quanto o recém-nascido apresentaram quadro clínico estável após o parto.

Como medida preventiva, o Grupamento Tático Aéreo (GTA) foi acionado para uma eventual transferência ao Recife, caso a equipe médica considerasse necessário. Posteriormente, o bebê foi removido para a capital pernambucana em uma UTI aérea.

Fernando de Noronha conta apenas com o Hospital São Lucas, uma unidade de média complexidade. O arquipélago não possui maternidade nem Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o que impede a realização programada de partos.

Segundo orientação do Ministério da Saúde, os partos devem ocorrer em maternidades que disponham de equipes especializadas para atender possíveis complicações.

Por esse motivo, gestantes residentes na ilha são encaminhadas ao continente quando completam 28 semanas de gravidez. A Administração de Fernando de Noronha é responsável pelo custeio da hospedagem até o nascimento do bebê.

A política de proibição de partos no arquipélago é alvo de debates entre moradores e já foi tema do documentário “Proibido Nascer no Paraíso”.

Em maio de 2020, a empresária Alyne Dias Luna ganhou repercussão nacional após se recusar a deixar Fernando de Noronha para dar à luz. Na ocasião, ela alegou receio de contrair Covid-19 durante a viagem ao Recife. Mesmo sem o consentimento da gestante, o Governo de Pernambuco fretou uma aeronave para realizar sua transferência, e o parto aconteceu na capital pernambucana.

Dr. Ulbiramar Correia

Ortopedista especialista em joelho em Goiânia. Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho e Sociedade Brasileira de Artroscopia e Trauma Esportivo.

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