O uso excessivo de química no cabelo, especialmente a combinação de descoloração e progressiva, pode elevar a porosidade dos fios em até quatro vezes. A informação é de um estudo do Instituto de Física da USP. Segundo a pesquisa, essa união de procedimentos desnatura a alfa-queratina, tornando os danos estruturais praticamente irreversíveis sem uma intervenção profunda.
Cada procedimento químico atinge uma camada específica do fio. A amônia presente em tinturas abre as escamas da cutícula. Já componentes como formol e oxidantes rompem as ligações de cistina no córtex. Isso faz com que o cabelo perca sua elasticidade natural e também resistência mecânica.
Em casos de descolorações repetidas, até a medula do fio pode ser comprometida. O resultado é um cabelo quebradiço e sem “memória” de forma. A ANVISA reforçou alertas sobre alisantes com pH irregular, que causaram quebra severa em 95% dos usuários analisados em testes laboratoriais.
O risco é potencializado pelo pH dos produtos. Substâncias muito alcalinas ou ácidas alteram a fisiologia do fio. Por isso, é necessário um intervalo mínimo de 30 a 45 dias entre processos diferentes para evitar o chamado corte químico total.
O sinal mais claro de que a química foi longe demais é o efeito “chiclete”, quando o fio fica muito elástico ao ser esticado. Excesso de frizz persistente e textura rígida também indicam porosidade alta e perda massiva de proteínas e lipídios.
Queda acima do normal e ressecamento intenso são sinais que muitas vezes são ignorados. A queratina representa cerca de 80% da massa do fio capilar. Sua destruição química impede que o cabelo retenha hidratação básica.
A recuperação de fios muito danificados exige um ciclo semanal que inclui hidratação, nutrição e reconstrução. A hidratação repõe água, a nutrição devolve óleos essenciais e a reconstrução foca na reposição de aminoácidos e colágeno hidrolisado.
É importante evitar excesso de queratina líquida, que pode deixar o fio muito rígido e causar novas quebras. Um dos erros comuns é usar chapinha em alta temperatura sobre cabelo sensibilizado, causando danos irreversíveis ao córtex.
Outro equívoco é aplicar amônia logo após um alisamento. A cutícula, já fragilizada, não suporta uma nova abertura sem atingir níveis de porosidade extrema.
Dados da ABIHPEC mostram que o Brasil é o 3º maior mercado mundial de cosméticos capilares. O setor movimentou R$ 3,2 bilhões apenas em tratamentos pós-química em 2025.
Consultar as resoluções da ANVISA antes de comprar alisantes é a melhor forma de garantir que o produto não cause perda de fios por irregularidade na fórmula. Com o crescimento de 8% nos procedimentos químicos, as reclamações no PROCON sobre danos capilares subiram 34% no último ano.
Isso reforça a necessidade de buscar profissionais qualificados e marcas que respeitem as boas práticas de fabricação. O tratamento correto e o respeito aos intervalos entre as químicas são essenciais para manter a saúde dos fios.
