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Saúde

RNA mensageiro: novas terapias avançam no Brasil

Por RedaçãoLeitura de 2 min
RNA mensageiro: novas terapias avançam no Brasil

O terceiro encontro anual promovido pela Vesper, realizado na cidade de origem da empresa, reuniu cerca de 200 profissionais do setor de biotecnologia para apresentação de projetos e discussão de novas ideias. O evento destacou as pesquisas em vacinas e terapias baseadas em RNA mensageiro, tecnologia que ganhou escala global durante a pandemia de covid-19.

Segundo Gabriel Bottos, CEO e cofundador da Vesper, as startups de biotecnologia são a solução para inovar na velocidade que a ciência exige. Ele afirmou que boa parte do processo de descoberta e desenvolvimento de tratamentos, antes controlado por grandes farmacêuticas, agora passa pelas mãos dessas empresas emergentes.

A imunologista Glaucia Vespa, diretora médica de vacinas da América Latina da Adium, classificou o RNA mensageiro como um marco na história da medicina. Ela explicou que as células humanas funcionam como uma fábrica de proteínas superior a qualquer invenção tecnológica. O método consiste em levar instruções genéticas para treinar as defesas do corpo contra vírus ou atacar células cancerígenas.

Plataforma nacional pioneira

A Fiocruz projetou e patenteou o primeiro sistema de síntese e produção de RNA mensageiros para vacinas e terapias no país. Segundo Patricia Neves, líder da operação, para cada doença basta inserir a informação genética que será usada para induzir a resposta imunológica. O programa levou quatro anos para chegar à fase de estudo clínico e já desenvolve uma vacina contra a covid, além de experimentos iniciais contra leishmaniose e tuberculose.

Tratamento de longa duração

Pesquisadores da Cellertz Bio trabalham para reduzir o tempo que crianças com leucemia permanecem conectadas a bombas de infusão. Atualmente, um paciente pediátrico chega a ficar acoplado ao equipamento 24 horas por dia durante quase um mês de tratamento, por causa da rápida degradação das proteínas terapêuticas. A startup combina inteligência artificial com RNA mensageiro para criar moléculas mais estáveis. Edroaldo Lummertz da Rocha, cientista responsável pela empreitada, explicou que o RNA administrado em nanopartículas pode transformar o fígado numa fábrica de proteínas com meia-vida de quase uma semana.

Nova arquitetura molecular

A startup FUTRbio desenvolveu uma plataforma de RNA mensageiro para driblar o estresse celular que compromete a eficácia de moléculas terapêuticas. O cientista e fundador Daniel Mansur afirmou que a tecnologia permite estimular respostas rápidas com menos doses e o mesmo nível de proteção. A plataforma pode ser usada em vacinas combinadas contra covid e gripe, além de tratamentos oncológicos mais curtos.

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