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Saúde

Sarampo: cidades com menos de 10% de vacinação no Brasil

Por RedaçãoLeitura de 3 min
Sarampo: cidades com menos de 10% de vacinação no Brasil

Um levantamento da plataforma ImpulsoGov, obtido com exclusividade por VEJA SAÚDE, identificou os 20 municípios brasileiros com as menores coberturas vacinais contra o sarampo no primeiro semestre de 2026. Em algumas cidades, menos de 10% das crianças receberam a primeira dose da tríplice viral, percentual muito abaixo da meta de 95% estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Segundo a pesquisa, que considera dados de janeiro a junho, os estados com mais municípios na lista das piores coberturas são Rio Grande do Sul (6), Minas Gerais (4), São Paulo (3) e Goiás (4). Para a primeira dose, o menor índice nacional foi registrado em Serra Azul (SP), município com 13.108 habitantes, onde a vacina foi aplicada em somente 7% da população-alvo, ou seja, crianças de 12 meses. Isso representa apenas três doses aplicadas, enquanto a meta seria vacinar ao menos 45 crianças.

Em um recorte que considera apenas cidades com mais de 100 mil habitantes, Ribeirão Preto (SP) apresenta a menor cobertura, com 37%. Foram registradas 1.377 doses aplicadas, enquanto a meta seria de 3.711. Em seguida aparecem Sertãozinho (SP), com 46%, e Simões Filho (BA), com 53%. Embora os índices nas cidades maiores sejam superiores aos de municípios pequenos, todos seguem muito abaixo da meta do PNI.

De maneira geral, os índices entre as cidades com piores coberturas do Brasil variaram de 7% a 29% na primeira dose. Já na segunda dose, o cenário é ainda mais preocupante: as taxas ficam entre 1% e 18%. O levantamento tem como base o painel de coberturas do Ministério da Saúde e considera o município de residência da criança, independentemente de onde a vacina foi aplicada.

Entre as cidades com mais de 100 mil habitantes, a lista das menores coberturas na primeira dose inclui Ribeirão Preto (SP) com 37%, Sertãozinho (SP) com 46%, Simões Filho (BA) com 53%, Santo André (SP) com 54% e Belford Roxo (RJ) com 58%. Já a segunda dose da tríplice viral, recomendada aos 15 meses, apresenta percentuais ainda menores. Em Capela de Santana (RS), a cobertura cai de 10% na primeira dose para apenas 1% na segunda aplicação, com apenas uma dose registrada quando a meta seria vacinar 72 crianças.

Segundo Juliana Ramalho, gerente de Saúde Pública e Relações Governamentais da ImpulsoGov, o esquema vacinal incompleto das crianças é uma das principais preocupações. Ela explicou que o primeiro ano de vida é intenso em consultas e vacinas, mas após os 12 meses as crianças passam a frequentar menos os serviços de saúde, o que pode levar os pais a esquecer ou adiar as doses. A especialista reforçou que é necessário manter a mesma atenção até completar o esquema vacinal para evitar o risco de a doença voltar a circular.

Especialistas fazem ressalvas sobre os dados. Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), afirmou que dados administrativos de cobertura vacinal sofrem influência de fatores como notificação, envio de informações ao sistema nacional e compatibilidade entre os diferentes sistemas de notificação. Ele destacou que é preciso cautela na análise, pois os números não necessariamente representam o que está acontecendo de fato. Os números também não representam a parcela da população total de cada cidade que está vacinada, já que a cobertura é calculada sobre a população-alvo, ou seja, o número estimado de crianças que deveriam receber a vacina.

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