Saúde
TOD: condição neurobiológica, não falta de limites

Um estudo publicado no Journal of Autism and Developmental Disorders, em 2024, encontrou TOD em 53% das crianças com TDAH tipo combinado. O número sobe para 62% quando há também autismo associado e fica em 24% em crianças apenas autistas. Os dados foram citados pela educadora parental Cintia Matos, que tem um filho diagnosticado com a condição.
Segundo Cintia, o transtorno opositor desafiador (TOD) é frequentemente confundido com falta de limites ou birra, o que atrasa o diagnóstico. Ela relatou que, ao perceber a mudança no comportamento do filho, ouviu de profissionais que se tratava de uma questão de educação. A hipótese de TOD só surgiu após conversa com um psicopedagogo e foi confirmada por uma neuropediatra.
A educadora parental afirmou que o TOD consta no DSM-5, mas ainda é pouco reconhecido entre médicos. Estudos recentes indicam que muitos casos permanecem subdiagnosticados ou mal diagnosticados, principalmente pela sobreposição de sintomas com o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) ou com o transtorno de conduta.
Uma meta-análise de neuroimagem publicada na Neuropsychology Review identificou alterações cerebrais em crianças com o transtorno. O estudo apontou volume reduzido em áreas como amígdala, ínsula e giro frontal, regiões ligadas à regulação emocional e ao autocontrole. Para Cintia, isso demonstra que o comportamento não pode ser resumido a má criação.
Os sinais de alerta do TOD incluem irritabilidade frequente e desproporcional, oposição diante de pedidos simples, comportamento vingativo após repreensões, dificuldade de controlar impulsos e conflitos na escola. A criança com TOD também sofre ao não conseguir se controlar, segundo a educadora.
Cintia Matos defende que os pais não causam o TOD, mas são responsáveis pelo sucesso do tratamento. Ela explicou que o manejo comportamental em casa é o pilar central da intervenção, mais decisivo do que poucas horas semanais de terapia. A orientação parental ajuda a substituir reações autoritárias por comunicação firme e a criar rotina previsível, o que reduz a reatividade do cérebro infantil.
A educadora parental é autora do livro Lucas vai à terapia, criado a partir da dificuldade de encontrar recursos lúdicos para ajudar o filho na terapia. A obra, segundo ela, hoje apoia outras crianças e profissionais no manejo do transtorno.